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Fonte - http://revistagalileu.globo.com/Caminhos-para-o-futuro/Desenvolvimento/noticia/2015/09/como-serao-embalagens-de-alimentos-do-futuro.html |
Embalagem: invólucro usado para acondicionar algo, diz o
dicionário. Mas que definição poderíamos encontrar em um dicionário do futuro?
Tudo indica que o verbete deve se tornar maior e mais complexo. Afinal, novas tecnologias mostram que uma embalagem pode servir
para muitas outras coisas. Entre elas,aumentar a durabilidade da comida, avaliar sua qualidade e economizar recursos. E
mais: os avanços nesse setor se conectam com melhorias em outras áreas, até no
sistema de aviação. Confira abaixo três propostas que vão muito além.
Para
aproveitar até a última gota
O fim de um produto que sobra no frasco – a maionese ou um sachê de
mostarda – pode não ter grande importância no seu dia a dia, mas imagine o
valor disso quando se trata de combustíveis, medicamentos ou bolsas de sangue.
Aproveitamento total é o que propõe a LiquiGlide, que nasceu dentro de um
laboratório do MIT (Massachusetts Institute of Technology).
A empresa desenvolveu um lubrificante que torna as superfícies altamente
escorregadias, sobre as quais líquidos viscosos passam sem deixar rastros. A
novidade já atraiu clientes como a americana Elmer’s (fabricante de colas e
adesivos) e o conglomerado norueguês Orkla (que vende de alimentos a produtos
de higiene pessoal e limpeza).
Mas a LiquiGlide espera levar seu produto a muitos outros
setores, como a extração de petróleo. Segundo a empresa, o lubrificante pode
gerar uma economia de milhões de dólares no transporte de petróleo bruto, por
exemplo, evitando a formação de coágulos e o entupimento de oleodutos. Outro
setor em que a companhia está de olho é a aviação: revestir as de aviões com o
lubrificante evitaria a formação e acúmulo de gelo nessa parte da aeronave (uma
grande preocupação em voos durante o inverno).
Um
leite que dura o dobro do tempo
O leite tipo A tem vida curta – é um produto fresco, que dura cerca de uma
semana na prateleira. Mas nas garrafinhas da marca Letti, o prazo de validade
marcado é de 15 dias. O segredo? Suas garrafas contam com micropartículas à
base de sílica e de prata, que têm ação bactericida. Ao evitar a proliferação
desses micro-organismos, prolonga-se a conservação do leite. Uma boa notícia
tanto o consumidor (que tem um produto mais durável na geladeira) como o
fabricante, que pode melhorar sua cadeia de distribuição.
Por trás dessa inovação está a Nanox Tecnologia, uma empresa que
nasceu da interação entre pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos
(UFSCar) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Araraquara.
Especializada em criar materiais inteligentes a partir da nanotecnologia, a
empresa já havia lançado, por exemplo, um filme de PVC que elimina a
proliferação de fungos e bactérias nos alimentos.
E sua ação vai além do setor alimentício. Usando sempre a prata
como princípio antimicrobiano, a empresa também desenvolve soluções para a
indústria têxtil (com tecidos protegidos contra ácaros etc.), para o setor de
equipamentos hospitalares (com pisos e materiais mais fáceis de limpar, por
exemplo) e também para o de eletroeletrônicos (a tecnologia pode aumentar o
intervalo necessário para limpeza dos filtros de ar-condicionado ou bebedouro,
entre outras vantagens).
No caso da garrafa usada para envazar leite pela Letti, vale
destacar que as nanopartículas não se desprendem do plástico nem contaminam a
bebida. E que o produto continua precisando de refrigeração.
Etiqueta
feita com gelatina
O Bump Mark, uma etiqueta desenvolvida por uma jovem de 22 anos, e premiada no
ano passado em um concurso de design. A etiqueta é feita de gelatina e muda de
textura à medida que em que o alimento dentro da embalagem se deteriora.
Em entrevistas, a designer Solveiga Pakstaite disse que a ideia
surgiu depois que ela trabalhou com deficientes visuais – sua meta era
ajuda-los a descobrir a validade da comida por meio de alguma ferramenta tátil.
Funciona assim: você passa o dedo sobre a etiqueta e, se ela
estiver lisa, é sinal de que a comida está fresca. Porém, se você sentir as
ranhuras do plástico sob a etiqueta, é sinal de que a gelatina já se deteriorou
– e a comida também.
A escolha da gelatina se deu justamente por ser uma proteína,
que se decompõe de maneira similar à de outros alimentos proteicos, como
carnes, ovos e leite. Detalhe: a velocidade dessa composição pode ser
controlada a partir da concentração da gelatina (quanto mais sólida, mais ela
demorará para se deteriorar).